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Triste e abatido: Bolsonaro se diz arrependido por ter plan… Ler mais

A retórica que virou obstáculo

Durante seu mandato, Bolsonaro colecionou frases polêmicas que minimizaram a gravidade da pandemia. Desde chamar o vírus de “gripezinha” até sugerir que vacinas poderiam transformar pessoas em “jacarés”, suas falas foram amplamente criticadas por especialistas, autoridades sanitárias e pela imprensa nacional e internacional.

A retórica adotada por Bolsonaro não apenas alimentou a polarização política, como também contribuiu para a disseminação de desinformação.

Segundo análise da agência de checagem Aos Fatos, metade das declarações do ex-presidente sobre a pandemia continha inverdades ou distorções. Esse padrão discursivo, embora tenha reforçado sua base mais fiel, acabou por afastar setores moderados e influenciar negativamente sua imagem pública.

O impacto eleitoral e institucional

A postura de Bolsonaro durante a pandemia teve reflexos diretos em sua popularidade e em sua capacidade de articulação política. A resistência ao uso de máscaras, à vacinação e ao distanciamento social gerou atritos com governadores, prefeitos e até com membros de seu próprio governo.

Além disso, sua condução da crise sanitária foi alvo de uma CPI no Senado, que investigou possíveis omissões e irregularidades na gestão da pandemia.

No campo eleitoral, as falas polêmicas se tornaram munição para adversários e foram exploradas em campanhas e debates. A imagem de um presidente insensível diante da dor de milhares de famílias brasileiras contribuiu para a erosão de sua aprovação em segmentos-chave do eleitorado.

A conversa com Valdemar e os sinais de recalibração

Segundo fontes próximas ao PL, Bolsonaro teria admitido a Valdemar Costa Neto que “aloprou” em algumas declarações e que, se pudesse voltar atrás, teria adotado um tom mais moderado. Essa reflexão, ainda que tardia, pode sinalizar uma tentativa de recalibrar sua narrativa política, especialmente diante de investigações em curso e da necessidade de manter influência dentro do partido.

Valdemar, conhecido por sua habilidade em leitura política, teria aconselhado Bolsonaro a evitar declarações impulsivas e a focar em reconstruir pontes com setores mais amplos da sociedade. A conversa entre os dois líderes pode indicar uma nova fase na estratégia do ex-presidente, mais voltada à sobrevivência política do que à confrontação ideológica.

Bolsonaro diz que pretende antecipar retorno ao Brasil - País - Jornal NH

Legado e lições

O reconhecimento de que suas falas foram prejudiciais politicamente não apaga os efeitos concretos da retórica bolsonarista durante a pandemia. No entanto, pode abrir espaço para uma discussão mais ampla sobre responsabilidade discursiva de líderes em momentos de crise.

A pandemia escancarou o poder — e o perigo — das palavras, especialmente quando proferidas por quem ocupa o mais alto cargo da República.

Enquanto Bolsonaro tenta reconfigurar sua trajetória política, o Brasil segue lidando com as consequências de uma gestão marcada por controvérsias, desinformação e divisões profundas.

O episódio serve como alerta para o futuro: em tempos de calamidade, a liderança exige não apenas ação, mas também empatia e responsabilidade.

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